Fases da vida
(Washington Borges de Souza)
A existência da alma ou Espírito, um dos elementos da trindade universal, apresenta-se de dois modos: encarnado no corpo físico ou emancipado nos espaços do Infinito.

Submete-se, em ambas as hipóteses, a etapas relacionadas com o grau de sua evolução. Como ser livre, habita o lugar correspondente ao seu progresso. Quando no corpo físico, a vida do Espírito se subordina às fases que caracterizam a infância, a adolescência, a vida adulta e a idade avançada.

As etapas da nossa vida terrena têm feições nítidas. Cada pessoa tem suas características inconfundíveis da idade, variando pouco a aparência física, embora sem limites certos entre os vários períodos.

O que parece merecer observação e citação é a atividade apropriada a cada idade, cada qual com seus caracteres mais ou menos marcantes e claros.

Renascemos com finalidades previstas pela Divina Providência, para cumprimento das disposições das Leis Divinas e podemos alcançar nosso destino, em consonância com os desígnios de Deus, o Pai Eterno, Criador de tudo que existe.

A infância é o período em que retomamos o contato com o mundo material, reencontramos afeições e desafetos, muitas vezes dentro do mesmo lar. Despertamos na intimidade da família trazendo débitos e conquistas de vidas anteriores para retomar o curso da longa via de resgates e vitórias.

Quase não percebemos a passagem para a adolescência. Acalentados, às vezes, com carinho, ingressamos na nova fase para descobrir os segredos do mundo, inteiramente esquecidos das estradas já percorridas, e supomos desvendar mistérios já outrora desfeitos por nós mesmos. O esquecimento do passado é o meio pelo qual a Sabedoria, a Justiça e o Amor Divinos nos dão ensejo de encontrar o caminho certo, de retificar enganos por nosso próprio esforço, independentemente do conhecimento das ações antes praticadas, a fim de que possamos recolher o mérito correspondente ou responder pelos erros cometidos.

Da adolescência vislumbramos o início da fase de adulto, nesse ponto já com a reencarnação totalmente consolidada e a alma plenamente apta para as ações que dignificam e enobrecem a vida. É precisamente nesse período que devemos ter completa consciência dos verdadeiros valores que enriquecem a alma imortal. Mas ocorre com freqüência que é justamente nessa ocasião que a influência da matéria costuma exercer nefasto domínio sobre o comportamento das pessoas. Iludidas pelos prazeres que os bens materiais proporcionam, esquecem-se de Deus, dos valores morais imperecíveis.

Muitas falências do Espírito encarnado são decretadas exatamente quando o corpo físico, onde transitoriamente habita, está mais habilitado para a prática do bem, do amor a Deus e ao próximo.

A transição da idade adulta para a avançada traz desassossegos para algumas pessoas. É comum encontrá-las inquietas, amedrontadas, tristes, desiludidas etc., com a aproximação do que se considera oúltimo período da existência. Tudo isso é conseqüência da incerteza da vida futura.

A Doutrina dos Espíritos nos traz a certeza da existência de Deus e da alma. Ensina a eternidade da vida do Espírito e mostra exuberantemente a sua continuação depois do túmulo. As luzes e as consolações que essa Doutrina oferece socorrem a todos em todos os momentos, antes e depois do berço e da sepultura. Quanto mais nos aproximarmos dela mais benefícios podemos recolher.

Sabemos que a morte do corpo físico pode ocorrer em qualquer ocasião, desde antes do seu nascimento até a idade provecta. O instante em que se dará o desenlace somente Deus o sabe. A Doutrina Espírita ilumina a vida eterna do Espírito e esclarece sobre a morte do corpo somático.
Faculta-nos os meios e modos de nos pouparmos aos receios excessivos da morte pelo estudo e compreensão desse fenômeno inexorável, pelo conhecimento de seus postulados. Resguarda-nos de muitas angústias, tristezas e desânimos através do esclarecimento e da consolação que esparge exuberantemente.

Além de nos privar de muitos sofrimentos, o Consolador assenta na alma e no coração das criaturas a certeza e a esperança, indicando a senda da evolução para o futuro ditoso.

Texto da Revista Reformador, Fevereiro 2005, p20.


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